ORQUÍDEA Dez segundos. Tempo suficiente para escolher.
MARIA (sorrindo, quase surpresa) Dez segundos — como se um relâmpago decidisse ficar. 10 segundos a canidelo orquidea patched
MIGUEL (erguendo o regador) E eu passo cá amanhã. Levo a tesoura só para as ervas daninhas. ORQUÍDEA Dez segundos
(MARIA fecha os olhos. Uma gaivota grita. O mar responde. Dez segundos passam; algo muda — não grandioso, apenas exato: uma folha se abre, uma semente solta, um suspiro.) algo muda — não grandioso
Fim.
MIGUEL Aqui, o vento não perdoa. Nem o sal. Mas há quem plante esperança nas juntas.
(Os três—dois humanos e uma presença—ficam em silêncio breve, vendo o sol descer sobre Canidelo. A orquídea, remendada, inclina-se como se curvasse o mar.)